
Toda noite depois do fechamento do jornal, a turma se reunia no “Senadinho” para espairecer,falar da vida alheia, comentar os lances políticos ou simplesmente comer.
Comia-se e come-se ainda muito bem no Skinão,a casa que se consagrou no cenário gastronômico da cidade graças ao carisma e a supervisão do Zé que sempre primou pela qualidade e arte de fazer amigos.
Era gratificante presenciar sua sede de conhecimento.
Lia e relia o velho dicionário Aurélio, trocando figurinhas com os coleguinhas de imprensa sobre termos até então desconhecidos. Uma festa. Gastronômica, política, cultural.
Com direito a discussões calorosas, cenas de ciúmes no bar, descobertas de novos talentos, bate papo entre amigos e histórias pitorescas.
Voltávamos para casa inebriados.
Nem sei se por causa de tanta informação, pelo barulho dos ônibus circulando pela Rodrigues Alves, ou pelo levantamento dos copos de cerveja que lotavam as mesas espalhadas pela calçada de ladrilho hidráulico.
As águas rolaram, Bauru quase foi junto e o nosso querido Zé foi trocar palavrinhas com outra turma.
E, como nada é igual ao que a gente viu a um segundo, Marquinhos, um dos herdeiros, teve a idéia genial de levar a lanchonete símbolo da cidade lá para os Altos.
Cartada certeira.
Hoje, quem vem a Bauru tem a felicidade de poder provar em ambiente arejado a delícia que leva pão francês sem miolo, rosbife, rodelas de pepino em conserva e queijo derretido.
E ainda contemplar de uma nova esquina menos barulhenta o ritmo frenético dos carros que circulam rumo à Praça Portugal.
O tempo não pára.
Eliane Barbosa